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A cor do ano Pantone 2026 reacende um debate antigo: o branco é uma cor?

Posted 10 December 2025 by X-Rite Color
Modified 07 January 2026

A Cor do Ano Pantone 2026, PANTONE 11-4201 Cloud Dancer, é descrita como um branco leve e etéreo, que abre espaço para a criatividade, a reflexão silenciosa e a calma. Um branco que é ao mesmo tempo quente e frio, cuja presença serena simboliza a necessidade de clareza em um mundo ruidoso. E, assim que a escolha foi anunciada na semana passada, um antigo debate voltou à tona: o branco é mesmo uma cor?

O branco é frequentemente visto como a “ausência” de cor. Mas a ciência das cores diz o contrário. Para entender essa cor fundamental, examinamos a ciência por trás de como percebemos o branco e como ele é produzido.

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A luz é a verdadeira fonte de cor

A percepção humana de cor começa com a luz. Os objetos não têm cor de forma inerente; em vez disso, eles absorvem certos comprimentos de onda e refletem outros. A mistura refletida entra em nossos olhos e nosso cérebro interpreta esse sinal como uma cor.

Círculo de cores RGB 

O espectro visível de cores, o que conhecemos como o arco-íris, abrange comprimentos de onda de aproximadamente 380 a 720 nanômetros, divididos nas três cores primárias da luz: vermelho, verde e azul. Ao combinar essas cores em diferentes intensidades, podemos criar milhões de cores. Quando misturamos vermelho, verde e azul em intensidades iguais, percebemos o resultado como luz branca.

Como o branco reflete todos os comprimentos de onda, ele é fortemente influenciado pela temperatura de cor da fonte de luz. Um objeto branco pode parecer nítido sob a luz do dia, mais cremoso sob o sol da tarde ou levemente azulado sob iluminação fluorescente. A fonte de luz não apenas ilumina o branco; ela define toda a sua aparência. Isso se torna especialmente importante ao comparar brancos entre diferentes produtos, materiais ou ambientes.

Temperaturas de cor em Kelvin 

Leia nosso blog: Percepção de cores Parte 1: O efeito da luz 

Teoria das cores aditivas vs. subtrativas

Entender como o branco é gerado em diferentes sistemas requer uma análise dos dois principais modelos de cor: o aditivo e o subtrativo.

Cor aditiva (RGB)
A cor aditiva é a cor obtida pela adição de luz. Telas, smartphones e monitores digitais utilizam os comprimentos de onda vermelho, verde e azul (RGB) para criar todas as outras cores.

  • Ausência de luz = preto
  • RGB em intensidade máxima = branco

Dispositivos digitais dependem dessa combinação para simular uma ampla gama de cores, manipulando a quantidade de luz emitida por cada pixel. É por isso que o branco na tela do seu celular ou monitor é literalmente feito de luz.

Cor subtrativa (CMY/CMYK)
A cor subtrativa resulta da remoção de certos comprimentos de onda da luz branca, utilizando tintas, corantes ou pigmentos. Esse modelo funciona controlando quanto da luz incidente um material reflete de volta ao observador. Na impressão e em embalagens, por exemplo, ciano, magenta e amarelo absorvem (ou subtraem) seus comprimentos de onda opostos para produzir a tonalidade desejada. 

Esse diagrama ilustra como as cores primárias subtrativas removem suas contrapartes aditivas da luz, resultando na aparência de uma determinada cor.

Nesse sistema, o branco representa a ausência de cor, pois nenhuma combinação de tintas ou pigmentos pode ser misturada para produzi-lo. O branco vem inteiramente do material de base ou substrato, o que explica por que muitas pessoas questionam se o branco pode realmente ser considerado uma cor.

No entanto, ao observar a química dos pigmentos, a estória se torna mais interessante. Os fabricantes criam materiais brancos utilizando substâncias específicas de base, como carbonato de cálcio (giz) ou minerais como dióxido de titânio e óxido de zinco. Mesmo papel branco, algodão, lã e outros materiais naturais dependem de processos de branqueamento para remover sua tonalidade amarelada natural.

PANTONE 11-4201 Cloud Dancer FHI Guide Usage

A forma como a matéria-prima é preparada introduz variações sutis de subtons quentes ou frios, e é por isso que vemos tantos tons diferentes de branco em tintas, plásticos, têxteis e produtos do dia a dia. Nesse contexto, o branco é, sim, uma cor, com propriedades mensuráveis próprias e nuances visuais distintas.

Leia nosso blog: Modelos de cores aditivas vs. subtrativas 

Por que tantos “brancos” não são realmente brancos

Uma quantidade surpreendente dos materiais “brancos” ao nosso redor (papel, têxteis, embalagens e plásticos) não é naturalmente branca. Os fabricantes frequentemente adicionam agentes branqueadores ópticos (OBAs) à formulação da cor ou ao material de base para criar um branco visualmente mais brilhante.

Os OBAs funcionam absorvendo luz ultravioleta (UV), invisível ao olho humano, e reemitem essa luz na região azul do espectro visível. Como resultado, nossos olhos percebem esse branco como mais brilhante do que um branco que não contém branqueadores ópticos.

Esse efeito de “branco mais branco que o branco” pode ser visualmente atraente, mas complica a comunicação de cor. Os OBAs só fluorescem sob fontes de luz que contenham UV. Sob LEDs ou outras iluminações com baixo teor de UV, um branco branqueado pode subitamente parecer opaco, amarelado ou fora do padrão. Isso significa que dois materiais brancos podem combinar perfeitamente em um ambiente e entrar em conflito em outro.

Curva de refletância de um branco com branqueadores ópticos

Leia nosso blog: Branqueadores ópticos: conceitos básicos

O Cloud Dancer usa OBAs?
Não, e isso é parte do que o torna especial.

O PANTONE 11-4201 Cloud Dancer é um branco natural, sem agentes branqueadores ópticos. Sua curva de refletância permanece equilibrada em todo o espectro visível, sem pico azul artificial, sem fluorescência e sem realce óptico.

Isso significa que o Cloud Dancer:

  • Reflete a luz de maneira uniforme
  • Mantém uma aparência consistente sob diferentes condições de iluminação
  • É mais previsível em fluxos de trabalho de cor digitais e físicos
  • Se comporta como um branco de referência verdadeiro e neutro

Ao formular esse neutro suave, os fabricantes ainda devem considerar se o material de base contém OBAs, pois qualquer padrão de cor se comportará de maneira diferente em substratos branqueados. Uma cabine de luz é frequentemente utilizada para comparar e avaliar essas variações com precisão.

Em contraste, muitos brancos populares (como PANTONE 11-4001 ou 11-0700) incluem OBAs e frequentemente medem acima de 100% de refletância na região azul, uma evidência clara de fluorescência. Para setores que dependem de precisão de cor, a diferença entre um branco natural e um branco branqueado pode impactar significativamente a percepção, a medição e os resultados de produção.

White Swatches

PANTONE 11-4201 Cloud Dancer ao lado de 3 brancos Pantone com agentes branqueadores ópticos (OBAs), sob luz do dia D65. 

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PANTONE 11-4201 Cloud Dancer ao lado de 3 brancos Pantone com agentes branqueadores ópticos (OBAs), sob iluminação UV. 

Camisetas sob luz branca do dia e sob luz UV.

Então... o branco é uma cor?

Sim, o branco é, sem dúvida, uma cor. Ele tem um perfil espectral mensurável, participa plenamente dos sistemas aditivo e subtrativo e influencia a forma como todas as outras cores são percebidas. Também é uma das cores mais desafiadoras de gerenciar, pois sua aparência depende da iluminação, da composição do material e da percepção humana.

O branco pode parecer simples, mas sua ciência está longe de ser trivial. E talvez esse seja justamente o ponto: as cores mais silenciosas costumam provocar as conversas mais profundas. O Cloud Dancer nos convida a observar com mais atenção e a valorizar a interação entre luz, percepção e material que molda cada cor que vemos.

Se você quiser saber mais sobre como reproduzir o PANTONE 11-4201 Cloud Dancer, preencha o formulário e um Especialista em Cor entrará em contato.



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